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Post by Hitchcock on Feb 11, 2004 6:18:23 GMT -5
Vi o Dogville, como quem se senta em frente à lareira, numa fria noite de inverno, com um cálice de brandy Napoleão aquecido na mão esquerda e um charuto Monte Cristo na mão direita.
Por outras palavras, deliciei-me com pequenos mas ricos prazeres que nos dão conforto. Dogville, foi decididamente um desses momentos para mim. Foi como ler uma obra literária marcante, num final de tarde quente, sentado em relva verde e fofa de frente para um rio fresco. Foi como ouvir uma música que nos fala à alma no local sentados na escuridão do nosso quarto a olhar para fora da janela. Foi como ver uma peça de teatro tão boa e que nos proporcionou tanto prazer que institivamente somos os primeiros a saltar da cadeira para aplaudir o trabalho dos artistas.
É genial, é puro, é simples, é humano, é uma obra digna de ser aplaudida em silêncio como um bom fado melancólico. Dogville, é tudo isso.
Penso que é estragar a serena surpresa que vai nascendo no espectador, dissecar esta obra num análise fria, daí ter preferido descrever o filme de Lars Von Trier desta forma. Apenas posso dizer, que deve ser vito de mente aberta e aceitar a sua excelente história como um brandy quente, um bom livro num final de tarde de verão, etc... Porque é isso mesmo, é algo que cria um marco na nossa visão artistica para o resto da nossa vida.
A não perder mesmo.
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